quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fogo...



Ao me dar conta já não havia mais tempo, se alastrou com ferocidade, destruiu as angustias e tristezas, reduziu ao pó todo tipo de decepção e iniciou um novo jogo, como brasa ardente em uma noite silenciosa, o calor nos faz prestar atenção, saber que ele está ali, queimando, ardendo, tomando...
Como pirata em sua missão, ele vai arrebatando a vontade, pilhando os desejos, saqueando as palavras, e transformando todos em prisioneiros... Sem julgamento, ou júri, sem algoz ou salvador... Ele nos faz pular da prancha...
Ao encontro de um mar de incerteza, todos são iniciantes, com cara de coragem tentamos disfarçar, o difícil é deixar se levar pela correnteza...
Se o acaso me leva a todos os seus olhares, o que posso fazer... Só espero o momento...
quando os ventos apontam nossa direção, escolhemos:

*Deixamos-nos levar e encontramos um dia de sol;

* Ou nos prendemos a restos de um naufrágio...

Queima-me como nunca queimou, encante-me com sua luz ludibriável, que o ardor de cada gesto se torne o encanto que se faz presente a cada palavra, se é no calor dessa chama que desejamos estar, a fagulha está acessa... Se deixe queimar...

" O poder de dominar é tentador..."

terça-feira, 26 de abril de 2011

Brincando com o tempo...


   

O dia que desperta nos avisa que vai começar, mas a noite que se encerrou nem se despediu, deixou o dia de ontem para trás, apagou toda nossa memória e partiu...

    Toda dor foi lavada, toda cruz foi guardada, a realeza não mais nos pertence, o que resta é a falta do que nos é presente.

    Aquilo que antes era certo, hoje não parece normal, o conflito que nos habita, a tristeza que nos carrega, a coragem que nos falta na luta, o mal.

    Ainda que não se quebrem as correntes, permanecer já não é tão complicado, a vontade de ser único que já foi meu estandarte, aos poucos se desfaz, fica de lado... 

    Mas não desistimos não perdermos esta luta, mesmo que a vitória seja incerta, a batalha dolorosa, ou que seja mais que isso, entramos de vez nesta guerra...

“Lutem, lutem, até que os cordeiros virem leões...”

Se acaso precisares... Acorde, acorde para uma nova vida, liberte seu coração e se deixe levar...



“Ele se fez cordeiro e recebeu as dores que nos foram impostas...
E na cruz com amor nos libertou...”

sexta-feira, 4 de março de 2011

Atrás do Bloco da Saudade...




Olá, bom dia, boa tarde ou boa noite... Nesse mundo atemporal às vezes fica difícil saber o que dizer, ontem estava acordando em um Novo ano, hoje o carnaval já nos chama a festejar, foliar, pular, brincar, esquecer... Sim esquecer caro leitor, esquecer da tristeza, esquecer de amores, esquecer de tudo aquilo que parece nos agoniar. Às vezes alguém pergunta por que o carnaval é tão especial, eu simplesmente respondo ”porque é o único sonho no qual você só acorda depois de 5 dias...”.
A liberdade de ser qualquer um, João vira Maria, Maria vira João, poder amar mesmo que seja só por 10 minutos, poder festejar com desconhecidos, no carnaval ninguém tem depressão, melancolia, ou qualquer outro tipo de tristeza... 




Ele era um desses foliões fiéis, saia no primeiro bloco de carnaval sexta-feira e só chegava na quarta... Nesse meio era doutor, deputado, dono de empresa, e até policial disfarçado, a natureza não foi tão boa quando modelou seu rosto, mas atrás da máscara de pierrô nada disso importava, nos bailes de social era o último a sair, no botequim da esquina conhecia todos, amante profissional deixava as mulheres a suspirar, mas se perguntares nenhuma conseguirá descrever sua feição, ele era presente e invisível ao mesmo tempo.
 Aquela noite tinha um ar de ser diferente, a praça estava lotada de fantasias, serpentinas, marchinhas, tudo como tem que ser inclusive ele, mais uma vez de pierrô, dançando e agitando a todos, coreografando danças que ele nunca tinha ouvido, mas algo chamou sua atenção, no meio do salão uma visão deslumbrante, a colombina mais linda que ele já vira, ficou apaixonado, ao se aproximar ela simplesmente desapareceu, se perdeu em meio a milhares de outras colombinas, mas nenhuma que lhe chamasse tanta atenção, começou a buscá-la, mas sem sucesso...
Depois dessa noite ele nunca mais foi o mesmo, os amores não foram com a mesma vontade, os beijos não encontravam mais o céu, os carnavais perderam a graça, se pelo menos ele tivesse uma pista... Após noites e noites só pensando em um meio de encontrá-la, decidiu ir a todas as festas de carnaval que pudesse, e assim aconteceu, depois de um tempo se casou mesmo sabendo que não sentia nada, mas nunca desistiu da busca, aos 83 anos não agüentou o ritmo da bateria de uma escola de samba e morreu... No seu enterro amigos, parentes, e algumas pessoas que nunca o viram, todos se despediam daquele que por anos buscou o amor verdadeiro, ao final quando todo mundo já tinha ido embora, sua mulher triste e solitário vai ao seu encontro, dá o último beijo e sussurra as seguintes palavras: -“Eu sempre te amei, mesmo sabendo que seu coração era só da colombina...”
Como uma última ação ela tira de dentro da sacola uma roupa suja e amarrotada de colombina, coloca em cima do caixão e vai embora...
Alguns dizem que nunca encontraram seu amor, outros que nunca vão encontrar, mas para aqueles que procuram colombinas em festas de carnaval, saiba que “Todo Carnaval Tem Seu Fim...”  



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sob o sol de janeiro...



Um dia de verão. Sob o árduo sol de Janeiro, minha mente volta a infância, relembra os dias em que acordava para jogar bola, que brincava descalço queimando a sola do pé e mesmo assim nunca parava de me divertir, hoje em dia é raro o momento de aproveitar o sol, aliás, aproveitamos sim, observando como ele brilha lá fora, enclausurados lutando para que um dia, quando chegarmos a aposentadoria, possamos deitar numa rede olhando o horizonte e ouvindo o mar, enquanto isso, a vida passa, se vai demorar ou não, o sol ainda brilha, o vento sopra, e o cotidiano ainda é cotidiano.

Engraçado, mesmo sabendo que amanhã vai ser melhor, a sensação de ausência ainda volta a bater na porta dos meus pensamentos, estar “completo” e sentir falta de algo não me parece normal, queria sentir aquela vontade, aquele entusiasmo que me fizeram estar onde estou, mas o combustível que me leva a encarar a realidade, esta entrando em extinção...

Muitos dizem para levantar a cabeça e seguir, como se eu não soubesse... Bom, mas pensando bem, os tempos são outros, são novos ares, novas realizações, que demoram a serem realizadas, mas ainda são realizações, não existe mais tempo para reclamar... Parafraseando Fernando Anitelli “Quanta mudança alcança o nosso ser...” se é para viver, que sejamos felizes todo tempo, ainda é tempo de “Carpe Dienzar”... Porque Não...


"Olhando o sol brilhar pela janela, vejo que os dias passaram...
já é Fevereiro e eu ainda nem reguei meu jardim..."

Alguém me acorde!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O canto da Sereia...



Ele caminhava tranquilamente. Era apenas mais um dia qualquer. Uma manhã estressante de trabalho. Um tempo para descansar. Mas naquele dia, ele resolveu mudar. Não quis ir ao mesmo lugar que vai todas as manhãs.O que isso ia influenciar na sua vida, ele só descobriu depois. Mas ai já era tarde...

Distraído, pensando em coisas que não vem ao caso, sua cabeça de repente parou, uma música lhe chamou atenção, uma voz lhe fez suspirar, uma lembrança lhe tomou a mente, sim, a mesma voz que há tempos não escutava, as lembranças daquele dia voltaram, como flechas atiradas ao céu, estranhamente ele lembrou, que nesta mesma data, ele passava neste mesmo lugar, com a mesma tristeza, mas algo o chamou atenção, era uma estrela, não dessas que ficam penduradas no céu, mas uma estrela de carne e osso, uma reação que nunca pode explicar, até tentou achar solução para tal acontecimento, mas nada justificava aquela emoção, aquele momento de felicidade instantânea.

Ele nunca tinha visto ela na vida, ela nunca o notou, mesmos assim as coisas pareciam estar definidas, talvez ela tenha ido para casa ou para um quarto de hotel naquela noite , mas para ele nada foi igual, não conseguia tirar aquele rosto, aquele olhar, aquela voz de sua cabeça, tentou achar uma solução para sua loucura, mas nada resolveu, como se algo lhe mostrasse o que fazer procurou encontrá-la, se comunicou, ela respondeu...

Não sei bem ao certo o rumo desta louca história, mas ele precisava de algo que o surpreendesse, ao cometer essa loucura se tornou mais vivo, acreditou mais em si mesmo, lembrou de quando fazia as coisas acontecerem, deixou planos e sonhos voltarem a florescer, mesmo não sabendo o nome dela, ele continua a pensar, imaginar, delirar, observar, sem saber até quando, um dia ela irá embora,  e de novo a esperança irá ser guardada na memória, mas enquanto este dia não chega ele passa naquela mesma rua, só para ver ela novamente, escutar sua voz embora ela não cante para ele, olhar nos seu olhos ainda que ela olhe para outro lado, enfim algo inexplicável e ao mesmo tempo tão simples, enquanto isso eu fico aqui, tentando escrever esta louca história, onde ele sou eu, e ela... ela é um sonho...


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sentido






Corra, a estrada está escura, não olhe pois essa não é a sua cura, o mal que te alimenta, não é a nossa janta, o amor que nos sustenta não fica preso na garganta, vivo o que for melhor para viver, não venha me falar o que te faz sofrer, pense, enfrente, mude, acorde, tente, A luta é um esforço, faça diferente.


Não, não vai agora, essa ainda não é a sua hora, chega de problemas que insistem em voltar, fique um pouco mais espere eu acordar, viver e não olhar pra trás, pois a escolha que tomamos, é o que nos satisfaz...

Entenda, quando eu falo coisas sem nexo ou tolas, não se tratam apenas de simples palavras soltas, acredite no que eu digo, não faça o que eu faço, apenas concorde, fale, reclame, brigue, só não me deixe perdido neste espaço, espaço sideral, espaço, falta espaço no meu quintal, a planta que ontem estava ali, hoje já não esta mais, passou um vento forte, me deixou sem rumo, sem porto, sem cais, o que adianta ficar preso na gaiola, enquanto a banda toca, Pixinguinha, Sombrinha, Cartola, mestres da sua geração, fazem falta, falta amor, saudade, esperança e paixão, das rimas de Arlindo Cruz, falta um pouco de cadência, no samba sobra ritmo, no funk falta decência, pra encerrar o assunto sem assunto definido, nada passa, nada falta, nada sofre, nada sobra, nada morre, aquilo que hoje não faz sentido, amanhã não se promove...

NÂO FAZ SENTIDO...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Flores e Espinhos...


Começa a história. Na primavera o sol nasce, abrilhantando as flores que hoje estão murchas, não pelo tempo, nem por falta de carinho, mas pelas vezes em que a flor foi pisada, foi reduzida a pétalas por um passo, um pegada suave, mas destruidora.

Era inverno, o vento gélido e cortante soprava.
Aqueles dias em que a vontade de sair de casa é quase nula, mas a obrigação do cotidiano fez com que ele despertasse, meio desajeitado, com cara de poucos amigos, ele levantou, procedeu com sua rotina matinal, após um banho quente finalmente ele acordou, parecia um dia qualquer, tudo estava normal, tomou seu café, olhou as noticias do jornal, Rio de Janeiro em guerra, terminou seu café por ali mesmo, parecia que a noticia tinha o abalado, impaciente pegou suas roupas, negras como a noite, o telefone toca.
- Alô...   Sim sou eu mesmo...
- Quê??...( silêncio)
- Já estou indo para ai!..
Em outro ponto da cidade, o frio parece mais gelado do que o normal, no calor da festa ela nem sabe aonde acordou, aquela não era sua casa, nem sua cama, aquele não era seu cobertor, o frio era intenso, o vento parecia a estrangular, levantou meio depressa, olhou em volta , nada parecia ser conhecido, suas roupas estavam rasgadas, essa era a razão do seu corpo estar quase congelado,  saiu na rua, tudo estava quieto, as ruas estavam vazias, pensou se aquilo não era um sonho, mas logo obteve a resposta.

Após mais uma noite de sono sozinho, ele já nem pensa mais no passado, poderia ser mais feliz agora, mas escolheu, teve a chance.
Ela só pensa no que fez na noite anterior, com quem dormiu, aonde estava, como foi parar ali, mais uma vez ela se arrepende, devia ficar sozinha, mas foi a sua escolha, teve sua chance.
Ao chegar no seu local de trabalho, logo percebe que o clima está diferente, a tensão ocupa o lugar da tranquilidade, ele sabe o peso da sua responsabilidade, comandar o batalhão da tropa de elite não era fácil, já havia passado por situações de extremo perigo, mas nada como a que ele iria encarar...
De volta ao quarto desconhecido, ela procura algo que sirva de roupa, vasculha os armários, encontra um camisa amarrotada, que logo lhe cobre o corpo inteiro,  quer sair, ouve vozes, mas não consegue ver nada, fica assustada, tenta gritar, mas não é escutada...


Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?
Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim


 Dia 28 de novembro de 2010,

Começa a incursão ao morro denominado "Morro do Alemão", a situação é tensa, o batalhão de elite da policia do Rio de Janeiro é liderado pelo Capitão Oswaldo de Andrada, 35 anos, Solteiro.

As últimas noticias recebidas pela frequencia de rádio, informam que a equipe foi surpreendida por um grupo de traficantes em um dos becos da favela... Aguardamos novas informações...


Ele parece confuso, algo lhe tirou a atenção, ele sabe o que fazer, mas não consegue... Todos esperam a sua confirmação, mas o peso da sua mão parece triplicar, começa a perder o sentido, mas consegue se recuperar, a tempo de ver o reflexo de uma bala calibre 7.92 avançar pelo céu até sua direção...
Ela parece não saber mais o que fazer, todas as tentativas falharam, seu rosto imerso em lágrimas, já não tem a mesma expressão feliz da noite anterior, de repente algo fica diferente, um barulho se destaca, parece um tiro, seu corpo fica tenso, um frio lhe percorre a alma, começa a lembrar de tudo que já fez, lembra de quando era pequena, do dia em que a morte lhe bateu a porta, quando tudo era escuridão, foi salva por alguém que nem lhe conhecia...
Seu corpo estremeceu, será que tinha chegado o fim, uma vida justa, sempre servindo a sua pátria, terminando com um tiro, ele lembrou, lembrou da sua vida inteira, de quando jogava bola, do dia em que nunca esquecerá, aquele sorriso que ficou na sua memória, para ele tinha sido apenas reflexo, mas para ela uma vida...
Como um último esforço, ela se levanta, tenta mais uma vez sair, não consegue, vai enfraquecendo, cai de joelhos, resolve se entregar, desiste de lutar, ele porém não aceita, parece não acreditar, a bala encurta a distância, está menos de um palmo da sua visão, ele tem seu último pensamento, esboça um sorriso e cai, morto...
O frio desaparece, ela abre os olhos, está em algum lugar familiar, consegue lembrar aonde passou a noite, olha para o lado  e fica mais tranquila, consegue ver o mesmo rosto que a salvou a anos atrás, ao seu lado, sorri...
Ele acorda, com uma expressão de felicidade, ela está em sua frente, os dois se fitam por algum tempo, sem falar um única palavra, se abraçam...
Não estavam mais sozinhos, não estavam mais perdidos, estavam juntos...
Quando o coração consegue encontrar a sua felicidade absoluta, nada pode afastar aquilo que lhe espera...
E  quanto as flores??




Elas renascem, mais lindas e perfumadas quanto antes, e assim vão parar em alguma mão apaixonada...