segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Saber que se pode, querer que aconteça...




Acorda cedo para trabalhar, mas nunca sabe aonde quer chegar,
Pensa que sabe o que quer, mas vive na dúvida,
Um calmo exagero, uma pequena tempestade,
Um leve desespero, uma prisão,

Não foge da luta não, esconde o medo, encara o perdão,
Refaça sua vida, não caia no chão...

Deve ser tão fácil ver o mundo lá de fora,
Mas o que acontece quando não se sabe que é chegada sua hora,
Uma palavra, uma promessa e o começo outra vez,
Feche os olhos, se esqueça de tudo isso talvez...

 

Não foge da luta não, esconde o medo, encara o perdão,
Refaça sua vida, não caia no chão...

A chuva lava todos os males, o escuro leva nossos sonhos,
O que era para ser forte se desfaz, o que era para ser leve nos toma toda força,
A coragem que era esperada, hoje se afugenta atrás de páginas velhas,
e o fervor que era de brasa, hoje se junta as cinzas... tão cinzas quanto o tempo...

"O que resta não sabe o nosso nome, nem conhece o nosso futuro..."

Não foge da luta não, esconde o medo, encara o perdão,
Refaça sua vida, não caia no chão...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fogo...



Ao me dar conta já não havia mais tempo, se alastrou com ferocidade, destruiu as angustias e tristezas, reduziu ao pó todo tipo de decepção e iniciou um novo jogo, como brasa ardente em uma noite silenciosa, o calor nos faz prestar atenção, saber que ele está ali, queimando, ardendo, tomando...
Como pirata em sua missão, ele vai arrebatando a vontade, pilhando os desejos, saqueando as palavras, e transformando todos em prisioneiros... Sem julgamento, ou júri, sem algoz ou salvador... Ele nos faz pular da prancha...
Ao encontro de um mar de incerteza, todos são iniciantes, com cara de coragem tentamos disfarçar, o difícil é deixar se levar pela correnteza...
Se o acaso me leva a todos os seus olhares, o que posso fazer... Só espero o momento...
quando os ventos apontam nossa direção, escolhemos:

*Deixamos-nos levar e encontramos um dia de sol;

* Ou nos prendemos a restos de um naufrágio...

Queima-me como nunca queimou, encante-me com sua luz ludibriável, que o ardor de cada gesto se torne o encanto que se faz presente a cada palavra, se é no calor dessa chama que desejamos estar, a fagulha está acessa... Se deixe queimar...

" O poder de dominar é tentador..."

terça-feira, 26 de abril de 2011

Brincando com o tempo...


   

O dia que desperta nos avisa que vai começar, mas a noite que se encerrou nem se despediu, deixou o dia de ontem para trás, apagou toda nossa memória e partiu...

    Toda dor foi lavada, toda cruz foi guardada, a realeza não mais nos pertence, o que resta é a falta do que nos é presente.

    Aquilo que antes era certo, hoje não parece normal, o conflito que nos habita, a tristeza que nos carrega, a coragem que nos falta na luta, o mal.

    Ainda que não se quebrem as correntes, permanecer já não é tão complicado, a vontade de ser único que já foi meu estandarte, aos poucos se desfaz, fica de lado... 

    Mas não desistimos não perdermos esta luta, mesmo que a vitória seja incerta, a batalha dolorosa, ou que seja mais que isso, entramos de vez nesta guerra...

“Lutem, lutem, até que os cordeiros virem leões...”

Se acaso precisares... Acorde, acorde para uma nova vida, liberte seu coração e se deixe levar...



“Ele se fez cordeiro e recebeu as dores que nos foram impostas...
E na cruz com amor nos libertou...”

sexta-feira, 4 de março de 2011

Atrás do Bloco da Saudade...




Olá, bom dia, boa tarde ou boa noite... Nesse mundo atemporal às vezes fica difícil saber o que dizer, ontem estava acordando em um Novo ano, hoje o carnaval já nos chama a festejar, foliar, pular, brincar, esquecer... Sim esquecer caro leitor, esquecer da tristeza, esquecer de amores, esquecer de tudo aquilo que parece nos agoniar. Às vezes alguém pergunta por que o carnaval é tão especial, eu simplesmente respondo ”porque é o único sonho no qual você só acorda depois de 5 dias...”.
A liberdade de ser qualquer um, João vira Maria, Maria vira João, poder amar mesmo que seja só por 10 minutos, poder festejar com desconhecidos, no carnaval ninguém tem depressão, melancolia, ou qualquer outro tipo de tristeza... 




Ele era um desses foliões fiéis, saia no primeiro bloco de carnaval sexta-feira e só chegava na quarta... Nesse meio era doutor, deputado, dono de empresa, e até policial disfarçado, a natureza não foi tão boa quando modelou seu rosto, mas atrás da máscara de pierrô nada disso importava, nos bailes de social era o último a sair, no botequim da esquina conhecia todos, amante profissional deixava as mulheres a suspirar, mas se perguntares nenhuma conseguirá descrever sua feição, ele era presente e invisível ao mesmo tempo.
 Aquela noite tinha um ar de ser diferente, a praça estava lotada de fantasias, serpentinas, marchinhas, tudo como tem que ser inclusive ele, mais uma vez de pierrô, dançando e agitando a todos, coreografando danças que ele nunca tinha ouvido, mas algo chamou sua atenção, no meio do salão uma visão deslumbrante, a colombina mais linda que ele já vira, ficou apaixonado, ao se aproximar ela simplesmente desapareceu, se perdeu em meio a milhares de outras colombinas, mas nenhuma que lhe chamasse tanta atenção, começou a buscá-la, mas sem sucesso...
Depois dessa noite ele nunca mais foi o mesmo, os amores não foram com a mesma vontade, os beijos não encontravam mais o céu, os carnavais perderam a graça, se pelo menos ele tivesse uma pista... Após noites e noites só pensando em um meio de encontrá-la, decidiu ir a todas as festas de carnaval que pudesse, e assim aconteceu, depois de um tempo se casou mesmo sabendo que não sentia nada, mas nunca desistiu da busca, aos 83 anos não agüentou o ritmo da bateria de uma escola de samba e morreu... No seu enterro amigos, parentes, e algumas pessoas que nunca o viram, todos se despediam daquele que por anos buscou o amor verdadeiro, ao final quando todo mundo já tinha ido embora, sua mulher triste e solitário vai ao seu encontro, dá o último beijo e sussurra as seguintes palavras: -“Eu sempre te amei, mesmo sabendo que seu coração era só da colombina...”
Como uma última ação ela tira de dentro da sacola uma roupa suja e amarrotada de colombina, coloca em cima do caixão e vai embora...
Alguns dizem que nunca encontraram seu amor, outros que nunca vão encontrar, mas para aqueles que procuram colombinas em festas de carnaval, saiba que “Todo Carnaval Tem Seu Fim...”  



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sob o sol de janeiro...



Um dia de verão. Sob o árduo sol de Janeiro, minha mente volta a infância, relembra os dias em que acordava para jogar bola, que brincava descalço queimando a sola do pé e mesmo assim nunca parava de me divertir, hoje em dia é raro o momento de aproveitar o sol, aliás, aproveitamos sim, observando como ele brilha lá fora, enclausurados lutando para que um dia, quando chegarmos a aposentadoria, possamos deitar numa rede olhando o horizonte e ouvindo o mar, enquanto isso, a vida passa, se vai demorar ou não, o sol ainda brilha, o vento sopra, e o cotidiano ainda é cotidiano.

Engraçado, mesmo sabendo que amanhã vai ser melhor, a sensação de ausência ainda volta a bater na porta dos meus pensamentos, estar “completo” e sentir falta de algo não me parece normal, queria sentir aquela vontade, aquele entusiasmo que me fizeram estar onde estou, mas o combustível que me leva a encarar a realidade, esta entrando em extinção...

Muitos dizem para levantar a cabeça e seguir, como se eu não soubesse... Bom, mas pensando bem, os tempos são outros, são novos ares, novas realizações, que demoram a serem realizadas, mas ainda são realizações, não existe mais tempo para reclamar... Parafraseando Fernando Anitelli “Quanta mudança alcança o nosso ser...” se é para viver, que sejamos felizes todo tempo, ainda é tempo de “Carpe Dienzar”... Porque Não...


"Olhando o sol brilhar pela janela, vejo que os dias passaram...
já é Fevereiro e eu ainda nem reguei meu jardim..."

Alguém me acorde!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O canto da Sereia...



Ele caminhava tranquilamente. Era apenas mais um dia qualquer. Uma manhã estressante de trabalho. Um tempo para descansar. Mas naquele dia, ele resolveu mudar. Não quis ir ao mesmo lugar que vai todas as manhãs.O que isso ia influenciar na sua vida, ele só descobriu depois. Mas ai já era tarde...

Distraído, pensando em coisas que não vem ao caso, sua cabeça de repente parou, uma música lhe chamou atenção, uma voz lhe fez suspirar, uma lembrança lhe tomou a mente, sim, a mesma voz que há tempos não escutava, as lembranças daquele dia voltaram, como flechas atiradas ao céu, estranhamente ele lembrou, que nesta mesma data, ele passava neste mesmo lugar, com a mesma tristeza, mas algo o chamou atenção, era uma estrela, não dessas que ficam penduradas no céu, mas uma estrela de carne e osso, uma reação que nunca pode explicar, até tentou achar solução para tal acontecimento, mas nada justificava aquela emoção, aquele momento de felicidade instantânea.

Ele nunca tinha visto ela na vida, ela nunca o notou, mesmos assim as coisas pareciam estar definidas, talvez ela tenha ido para casa ou para um quarto de hotel naquela noite , mas para ele nada foi igual, não conseguia tirar aquele rosto, aquele olhar, aquela voz de sua cabeça, tentou achar uma solução para sua loucura, mas nada resolveu, como se algo lhe mostrasse o que fazer procurou encontrá-la, se comunicou, ela respondeu...

Não sei bem ao certo o rumo desta louca história, mas ele precisava de algo que o surpreendesse, ao cometer essa loucura se tornou mais vivo, acreditou mais em si mesmo, lembrou de quando fazia as coisas acontecerem, deixou planos e sonhos voltarem a florescer, mesmo não sabendo o nome dela, ele continua a pensar, imaginar, delirar, observar, sem saber até quando, um dia ela irá embora,  e de novo a esperança irá ser guardada na memória, mas enquanto este dia não chega ele passa naquela mesma rua, só para ver ela novamente, escutar sua voz embora ela não cante para ele, olhar nos seu olhos ainda que ela olhe para outro lado, enfim algo inexplicável e ao mesmo tempo tão simples, enquanto isso eu fico aqui, tentando escrever esta louca história, onde ele sou eu, e ela... ela é um sonho...


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sentido






Corra, a estrada está escura, não olhe pois essa não é a sua cura, o mal que te alimenta, não é a nossa janta, o amor que nos sustenta não fica preso na garganta, vivo o que for melhor para viver, não venha me falar o que te faz sofrer, pense, enfrente, mude, acorde, tente, A luta é um esforço, faça diferente.


Não, não vai agora, essa ainda não é a sua hora, chega de problemas que insistem em voltar, fique um pouco mais espere eu acordar, viver e não olhar pra trás, pois a escolha que tomamos, é o que nos satisfaz...

Entenda, quando eu falo coisas sem nexo ou tolas, não se tratam apenas de simples palavras soltas, acredite no que eu digo, não faça o que eu faço, apenas concorde, fale, reclame, brigue, só não me deixe perdido neste espaço, espaço sideral, espaço, falta espaço no meu quintal, a planta que ontem estava ali, hoje já não esta mais, passou um vento forte, me deixou sem rumo, sem porto, sem cais, o que adianta ficar preso na gaiola, enquanto a banda toca, Pixinguinha, Sombrinha, Cartola, mestres da sua geração, fazem falta, falta amor, saudade, esperança e paixão, das rimas de Arlindo Cruz, falta um pouco de cadência, no samba sobra ritmo, no funk falta decência, pra encerrar o assunto sem assunto definido, nada passa, nada falta, nada sofre, nada sobra, nada morre, aquilo que hoje não faz sentido, amanhã não se promove...

NÂO FAZ SENTIDO...